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O que muda entre o Natal passado e o deste ano — A GrassAccord compara os números e se prepara para o fim de 2026
Pusemos lado a lado o último fim de ano do mercado de perfumes e os números dos primeiros nove meses deste ano para prever o que muda neste Natal. Conferimos como o gourmand, tão forte em 2026, se saiu de fato, comparamos sete acordes de Natal e planejamos os 70 dias que faltam.

Hoje é 16 de outubro. Faltam exatamente 70 dias para o Natal.
As empresas de perfume fazem boa parte do faturamento do ano no fim do ano. Em dezembro passado, a empresa americana de pesquisa de mercado Circana informou que cerca de 60% das vendas de perfumaria de prestígio do quarto trimestre acontecem só em dezembro, e que mais de um quarto disso são kits de presente. Ou seja, o resultado do ano se decide nas últimas semanas.
O dia 25 de dezembro cai na mesma data de sempre. Mas, de lá para cá, aconteceu muita coisa. O espaço aéreo do Golfo ficou fechado por um tempo, e as tarifas americanas foram derrubadas pela Suprema Corte e logo voltaram com base em outra lei. Na Europa, novas regras de rotulagem dos ingredientes de fragrância começaram a valer no fim de julho. E o gosto das pessoas pendeu para um lado: o dos aromas doces e tostados, o gourmand.
Por isso, neste texto, colocamos o fim do ano passado e o deste ano frente a frente, em números. O que de fato aconteceu na temporada de Natal passada, o que mudou de janeiro até agora e, a partir disso, como a GrassAccord acredita que este Natal será diferente. No final, organizamos por data o que vale a pena fazer no órgão nos 70 dias que restam.
Antes de ler: separamos fatos de previsões
- Fatos são números divulgados oficialmente por institutos de pesquisa e empresas, além de números confirmados na imprensa do setor. Quando um número só foi confirmado pela imprensa, indicamos com «segundo a imprensa».
- Previsões são as conclusões que tiramos desses fatos. Elas levam a marca (previsão), e depois do Natal vamos voltar para conferir o que acertamos e o que erramos.
- Usamos apenas dados publicados até 16 de outubro. Materiais que só saem em novembro, como a projeção de fim de ano das entidades do varejo americano, ainda não estão incluídos.
- Não publicamos proporções reais de fórmulas. O que dizemos sobre tarifas e regulamentação é informação geral, não assessoria jurídica ou tributária.
O fim de 2025 e o fim de 2026 em um só quadro
- Perfumaria de prestígio nos EUA: no ano passado, +5% no ano. A Circana avaliou como «um sinal de normalização depois de anos de crescimento acelerado». Neste ano, +6% no primeiro semestre, com preço médio +5% e unidades estáveis. (previsão: perfumes concentrados e caros puxam o fim de ano)
- Perfumaria de massa nos EUA: no ano passado, +15% no ano, o crescimento mais rápido da beleza de massa. Neste ano, primeiro semestre com valor +15% e unidades +7%. (previsão: presentes de preço acessível seguem fortes)
- Vendas on-line de fim de ano nos EUA: no ano passado, US$ 257,8 bilhões (+6,8%, recorde histórico). Neste ano, a projeção é de US$ 275,1 bilhões (+6,7%), com celular em 57,4% da temporada e 63% no Dia de Ação de Graças.
- Varejo total de fim de ano nos EUA: no ano passado, +4,1%. Neste ano, projeção de +4,0 a 4,8% (Deloitte), e o gasto com presentes por pessoa deve cair 2% (PwC).
- Duty free do Golfo: no ano passado, o Dubai Duty Free teve o maior faturamento anual da história. Neste ano, houve forte queda depois da guerra de março e a recuperação é lenta. (previsão: difícil voltar ao nível do ano passado)
- Rotulagem na Europa: o ano passado foi de adaptação. Neste ano, desde 31 de julho, os produtos novos seguem a rotulagem ampliada de alérgenos: é o primeiro Natal sob a nova regra.
- Tarifas dos EUA: no ano passado, tarifas por país. Neste ano, a Suprema Corte anulou a base legal em fevereiro e, depois de uma tarifa temporária, novas tarifas passaram a valer em 24 de julho. As alíquotas variam conforme a fonte.
- Gosto olfativo: no ano passado, o gourmand já estava forte e o pistache começava a despontar. Neste ano, o gourmand virou a «direção olfativa dominante» (análise de redes sociais), mas com menos açúcar, migrando para o tostado e o salgado.
- Baunilha (matéria-prima): desde o ano passado o preço caía por excesso de oferta e, neste ano, segundo a imprensa, o grau para extração chegou ao nível de 2012–13.
1. O Natal passado, revisto em números
Antes de olhar para este ano, vale acertar as contas com o ano passado.
O que a Circana esperava às vésperas do fim de ano
Em 4 de dezembro de 2025, num texto sobre o mercado de perfumes de fim de ano, a Circana previu que as vendas de perfumaria de prestígio no quarto trimestre cresceriam na casa de um dígito baixo e voltariam a passar de US$ 4 bilhões nos EUA. Apontou quatro tipos de produto para puxar a demanda: parfums de alta concentração, marcas de luxo, minitamanhos e body sprays baratos. O mesmo texto trazia outro número: no fim de ano anterior, um em cada cinco consumidores americanos tinha comprado perfume para dar de presente.
O boletim que saiu depois
O balanço de 2025 da Circana, publicado em 10 de fevereiro deste ano, foi um pouco mais morno. A perfumaria de prestígio cresceu 5% em valor ao longo do ano. Só no quarto trimestre, porém, ficou atrás da maquiagem e do skincare. A Circana chamou isso de «um sinal de normalização depois de anos de crescimento acelerado».
Já a perfumaria de massa cresceu 15%, o ritmo mais rápido da beleza de massa. Como valor e unidades subiram quase na mesma proporção, não foi reajuste de preço: vendeu-se mais, de verdade. Muita gente estava atrás de perfumes de preço acessível.
Presentes comprados pelo celular
Segundo a Adobe Analytics, as vendas on-line nos EUA em novembro e dezembro de 2025 somaram US$ 257,8 bilhões, alta de 6,8% e recorde histórico. Só na Cyber Monday foram gastos US$ 14,25 bilhões, e 56,4% de todas as vendas on-line foram pagas pelo celular.
O perfume não ficou de fora. A publicação do setor Glossy, citando estimativas da empresa de dados Charm (Charm.io), informou que o perfume vendido no TikTok Shop no ano passado passou de US$ 162 milhões. Se tanto foi vendido numa tela onde não dá para sentir o cheiro, é porque chegamos a uma época em que a forma de descrever um aroma em palavras pesa diretamente nas vendas.
O fim de ano passado em outros países
- Oriente Médio: segundo o governo de Dubai, o faturamento do Dubai Duty Free em 2025 foi de US$ 2,378 bilhões, um recorde. Até o fim do ano passado, o Golfo era um dos lugares onde mais se vendia perfumaria de alto padrão.
- China: segundo a imprensa, o volume total do Dia dos Solteiros, em novembro, cresceu 17,5%, abaixo dos 27% do ano anterior. Há também uma análise de corretora segundo a qual as importações chinesas de perfume cresceram 21% em 2025.
- Coreia: pelos dados do Ministério de Segurança de Alimentos e Medicamentos, as exportações de produtos aromáticos cresceram 46,2% em 2025, o maior aumento entre os tipos de cosméticos.
Em uma linha, o Natal passado foi assim: a perfumaria de prestígio desacelerou, os perfumes baratos venderam bem, os presentes passaram a ser escolhidos cada vez mais pelo celular e o Golfo viveu seu melhor ano.
2. O que mudou de janeiro até agora
Mesmo volume, preço mais alto
Nos dados do primeiro semestre que a Circana divulgou em 11 de agosto, o que chama atenção não é a taxa de crescimento, e sim o que está por trás dela. As vendas de perfumaria de prestígio cresceram 6%, com o preço médio subindo 5% e as unidades estáveis. Ou seja, as pessoas não compraram mais perfumes: compraram perfumes mais caros. Produtos mais concentrados, como eau de parfum e parfum, cresceram dois dígitos.
A perfumaria de massa avançou 15% em valor e 7% em unidades, mantendo de novo o primeiro lugar em crescimento na beleza de massa. Em cima, mais caro e mais concentrado; embaixo, mais em conta. A abertura entre os dois extremos, que já vinha do ano passado, continua. O perfume mais difícil de vender passou a ser o de preço intermediário e personalidade apagada.
Os pedidos às casas de fragrâncias contam antes
As marcas de perfume encomendam a fragrância meses antes de lançar um produto. Por isso, os resultados das casas de fragrâncias mostram com antecedência o mercado de alguns meses depois. Em 13 de outubro, a casa suíça Givaudan informou que suas vendas de fine fragrance de janeiro a setembro cresceram 15,3% em base comparável. No mesmo período do ano passado, já tinham crescido 18,7%; ou seja, voltou a crescer muito sobre uma base alta. Só no terceiro trimestre, a divisão Fragrance & Beauty cresceu 13,5%. Isso indica que os pedidos de fragrância para os lançamentos deste fim de ano e da próxima primavera estão se concentrando agora.
O perfume nos resultados das grandes empresas
- L'Oréal: no balanço do primeiro semestre, disse que o perfume segue crescendo dois dígitos. Prada Paradigme na frente, apoiado por Yves Saint Laurent Libre, Valentino Born in Roma e outros.
- Estée Lauder: no ano fiscal encerrado em junho, as vendas de perfume cresceram 12%, para US$ 2,78 bilhões, puxadas por Le Labo, Tom Ford e Kilian.
- Puig: no primeiro semestre, a divisão de fragrâncias e moda cresceu 3,8%, e a Ásia-Pacífico, 20,9%. A empresa estima que a situação no Oriente Médio reduziu as vendas em cerca de 14 milhões de euros (0,6% do total).
- Louis Vuitton Moët Hennessy: na divulgação de 12 de outubro, as vendas de perfumes e cosméticos do terceiro trimestre cresceram 1% em base comparável. No acumulado de janeiro a setembro, ficaram estáveis.
É verdade que o perfume continua sendo uma das áreas mais aquecidas da beleza. Mas a época em que todo mundo crescia junto, como alguns anos atrás, acabou, e os resultados variam bastante de empresa para empresa.
O perfume coreano saindo para o mundo
Segundo a Associação Coreana de Comércio Internacional, em janeiro deste ano a Coreia exportou US$ 6,52 milhões em perfume, o maior valor mensal desde o início da série, em 1988. Em fevereiro foram US$ 6,24 milhões, dois meses seguidos acima de US$ 6 milhões. Um país que por muito tempo só comprava perfume de fora vai, neste Natal, colocar seus aromas nas caixas de presente de mais países.
3. As projeções de fim de ano dos institutos
Daqui em diante, tudo é projeção.
- Deloitte (10 de setembro): prevê alta de 4,0 a 4,8% nas vendas do varejo americano de fim de ano, de novembro deste ano a janeiro do próximo. No mesmo período do ano passado, o resultado foi de 4,1%. Para o on-line, a previsão é de 7,5 a 8,4%.
- Adobe (28 de setembro): projeta vendas on-line de US$ 275,1 bilhões nos EUA em novembro e dezembro (alta de 6,7%). Espera US$ 12,9 bilhões na Black Friday (alta de 9,2%) e cerca de US$ 15,1 bilhões na Cyber Monday, em 30 de novembro. A participação do celular deve chegar a 57,4% na temporada e a 63% no Dia de Ação de Graças.
- PwC: segundo a imprensa, a pesquisa da PwC projeta que o gasto médio por consumidor americano com presentes de fim de ano cairá cerca de 2%, de US$ 721 no ano passado para US$ 708 neste ano.
O consumo total cresce um pouco, mas o que cada pessoa gasta com presentes diminui um pouco, e a fatia comprada pelo celular aumenta. Vai ser um Natal com o dinheiro mais curto e um olhar mais exigente na hora de escolher.
4. Ano passado e este ano: o que deve mudar
Com base nesses números, apontamos cinco diferenças entre este Natal e o do ano passado.
① Um bom frasco, ou vários frascos pequenos (previsão)
Antes do fim de ano passado, a Circana previa que parfums de alta concentração e minitamanhos puxariam a demanda de fim de ano. No primeiro semestre deste ano, só o preço subiu, as unidades ficaram iguais, e o orçamento de presentes por pessoa deve cair. Por isso, achamos que quem compra presente vai se dividir com mais clareza entre «um frasco de verdade» e «vários frascos pequenos, sem peso no bolso». O kit morno de preço intermediário deve ficar na posição mais incômoda.
② Um fim de ano mais quieto no Golfo (previsão)
No ano passado, o Dubai Duty Free teve o maior faturamento de sua história. Neste ano, depois da guerra de março, os aeroportos do Golfo ficaram parados por um tempo. A publicação do setor BeautyMatter relatou que as vendas de beleza nos seis países do Golfo caíram de 30 a 35% até maio, e trouxe a visão do setor de que a recuperação viria aos poucos, e não num salto. Achamos difícil que as vendas de perfume no Golfo neste fim de ano voltem ao nível do ano passado. Em compensação, vale acompanhar as vendas de fim de ano nos duty frees de Singapura e Bangkok, para onde os passageiros em conexão migraram em março.
③ Mandar perfume para os EUA ficou mais complicado
No ano passado, valiam as tarifas por país. Em 20 de fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou a base legal dessas tarifas, mas o governo logo impôs uma tarifa temporária com base em outra lei. Quando ela terminou, em 24 de julho, novas tarifas passaram a valer para cerca de 60 economias, incluindo a União Europeia. Essas tarifas também estão sendo contestadas na Justiça, e o percentual que de fato se aplica ao perfume varia conforme a fonte. Para uma casa pequena que vende perfume nos EUA, definir o preço de fim de ano ficou muito mais difícil do que no ano passado.
④ O primeiro Natal sob as novas regras de rotulagem
O ano passado foi de adaptação. Desde 31 de julho deste ano, pelo Regulamento (UE) 2023/1545, os produtos lançados no mercado precisam declarar os ingredientes conforme a lista ampliada de alérgenos de fragrância. Os produtos que já estavam no mercado antes podem ser vendidos até 31 de julho de 2028. Acontece que essa lista inclui muitos componentes de matérias-primas que lembram o Natal, como canela, cravo e laranja. Falamos disso em detalhe na seção 10.
⑤ Mais presentes escolhidos sem sentir o cheiro (previsão)
No fim do ano passado, 56,4% das vendas on-line foram pagas pelo celular. Neste ano, a projeção é de 57,4% na temporada e de 63% no Dia de Ação de Graças. Como mais perfumes vão ser comprados de presente sem que ninguém os experimente antes, frases que descrevem o aroma com precisão e pequenos kits de amostras para sentir em casa vão ficar ainda mais importantes.
5. O gourmand foi mesmo tão forte este ano?
Em 2026, não houve conversa sobre perfume sem gourmand: a família olfativa que lembra coisas de comer, como baunilha, caramelo, pistache, café e chocolate. Fomos conferir, com cinco perguntas e fonte por fonte, até onde é verdade que «este é o ano do gourmand».
Os lançamentos gourmand aumentaram mesmo muito?
Sim, aumentaram. O instituto de pesquisa Mintel informou, em comunicado de junho de 2025, que a participação do gourmand nos lançamentos de perfume no mundo subiu 7 pontos percentuais entre 2022 e 2024. Só que não encontramos números públicos de 2025 e 2026.
As pessoas procuram mais o gourmand?
Sim, em termos de interesse. A Spate, empresa de análise de buscas e redes sociais de beleza, chamou o gourmand de «direção olfativa dominante» num texto de 13 de abril e informou que o interesse pelo aroma de pistache cresceu 852,5% em um ano. Disse também que marshmallow, caramelo e mel estão em alta e avaliou que as famílias frescas estão perdendo espaço para as quentes. Mas esse número mede buscas e interesse nas redes, não vendas.
O gourmand foi o que mais vendeu?
Não dá para saber. Nem o balanço de 2025 nem os dados do primeiro semestre de 2026 divulgados pela Circana trazem números de vendas separados para gourmand ou baunilha. Não dá para confirmar com números públicos que ele foi o mais vendido, por isso não usamos essa afirmação neste texto.
A popularidade do gourmand encareceu a baunilha?
Não, é justamente o contrário. Segundo a imprensa, há tanta baunilha no mercado que neste ano o preço do grau para extração caiu ao nível de 2012–13. Por mais forte que fosse a demanda, quem definiu o preço foi a oferta.
O gourmand está no fim?
Mais do que acabar, está mudando de forma. A Spate disse que «aromas que são só doces perderam tração», e uma pessoa da equipe de perfumistas da Givaudan avaliou, em entrevista a uma publicação do setor, que a moda do pistache marca o começo dos aromas salgados e que a próxima vez será dos grãos, como arroz e gergelim.
Os dados confirmam que o gourmand foi o aroma que mais atraiu atenção neste ano. Mas ele tem outra textura em relação ao do ano passado. Neste ano, o gourmand está tirando açúcar e migrando para o tostado e o salgado.
Por que justamente este ano
Analistas da Mintel interpretaram que, com a disseminação de medicamentos que reduzem o apetite, mais pessoas passaram a comer menos doce e a procurar aromas doces. É uma leitura interessante, mas não comprovada por dados de vendas. Uma razão que parece mais sólida é a tela do celular. Num vídeo que não transmite cheiro, um aroma descrito como sabor, «creme de pistache» ou «caramelo tostado», é muito mais fácil de imaginar. Talvez seja por isso que as vendas de perfume no TikTok Shop e o interesse pelo gourmand subiram ao mesmo tempo.
Quando ele encontra o Natal
O Natal, por natureza, é um dia cheio de cheiro de comida: pão de mel, vinho quente, castanha assada, chocolate quente. Se a moda gourmand deste ano se somar a isso, achamos que os aromas deste fim de ano vão pender mais para a comida do que os do ano passado (previsão). Seguindo a tendência do ano, devem ficar mais perto de grãos tostados, oleaginosas torradas e caramelo salgado do que de algo coberto de açúcar.
6. O cheiro do Natal, matéria-prima por matéria-prima
O cheiro do Natal parece um bloco só, mas, desmontado no órgão, é apenas algumas matérias-primas e as moléculas dentro delas sobrepostas. Antes de comparar os acordes, vamos olhar os ingredientes. As proporções dos componentes variam conforme a origem e o método de extração, então leia isto como uma tendência aproximada.
Olíbano e mirra, os primeiros presentes de Natal
O Evangelho de Mateus conta que os Reis Magos ofereceram ao menino Jesus ouro, incenso e mirra. Dos três, dois são matérias aromáticas. O olíbano (o incenso) é a resina da árvore Boswellia, que cresce na região de Omã, Iêmen e Somália. Começa fresco como casca de limão e passa para resina de pinho, pimenta e o cheiro de pedra fria. Tem muitas moléculas leves, como alfa-pineno e limoneno. A mirra é a resina da árvore Commiphora, mais escura e amarga que o olíbano. Graças a moléculas da família dos furanos, tem um cheiro profundo que lembra cogumelo ou couro.
Abeto, a identidade do cheiro de árvore de Natal
As agulhas de abeto e de espruce são ricas em moléculas frescas, como alfa-pineno, beta-pineno e canfeno. O que transforma um cheiro comum de floresta em «cheiro de árvore de Natal» é o acetato de bornila. Ele põe sobre a resina um verde macio e levemente adocicado.
A gaveta das especiarias
- Canela: o óleo da casca tem como principal componente o cinamaldeído. O óleo das folhas é rico em eugenol e tem um cheiro mais próximo do cravo.
- Cravo: o óleo dos botões é quase todo eugenol. É daí que vem aquele cheiro quente com um quê de farmácia.
- Noz-moscada: sabineno e pineno, somados à miristicina, dão um cheiro quente e levemente adocicado.
- Gengibre: o aroma vem de componentes como o zingibereno. As substâncias picantes evaporam pouco, então o cheiro é bem mais suave que o sabor.
- Cardamomo: graças ao eucaliptol e ao acetato de terpinila, tem um cheiro fresco e ao mesmo tempo floral.
Laranja e tangerina
O óleo da casca de laranja é, em sua maior parte, limoneno. Só que limoneno sozinho não cheira a laranja. É preciso uma quantidade mínima de aldeídos e componentes como o citral para virar o cheiro de uma casca recém-descascada. O citral, aliás, foi a primeira matéria-prima publicada no dicionário de matérias-primas da GrassAccord.
A doçura do inverno
O coração da baunilha é a vanilina, mas a profundidade da baunilha natural vem de centenas de componentes em traço. A fava-tonka é rica em cumarina e tem um cheiro que mistura feno, amêndoa e caramelo. O cheiro de biscoito saído do forno ou de oleaginosas torradas vem, na maior parte, de moléculas da família das pirazinas. Dizer que o gourmand deste ano está indo para o tostado é, visto do órgão, dizer também que esses cheiros de assado e torrado estão sendo mais usados.
7. Sete acordes de Natal comparados
Agora é hora de juntar os ingredientes. Escolhemos sete acordes muito usados no Natal e organizamos, um a um, a impressão, as matérias-primas de estrutura, os componentes a observar na rotulagem europeia e a direção que eles devem tomar dentro da tendência do ano. Deixamos as proporções de fora e indicamos só a direção.
Laranja especiada (laranja e cravo)
- Impressão: fruta e especiaria, luminosas e quentes
- Matérias-primas de estrutura: casca de laranja e de tangerina, cravo, um toque de canela
- Componentes a observar na rotulagem: limoneno, citral, eugenol
- Direção em 2026 (previsão): fruta mais viva, cravo um passo atrás. Valorizar o amargor da casca
Glühwein (vinho quente)
- Impressão: frutas vermelhas, vinho, vapor quente
- Matérias-primas de estrutura: frutas vermelhas, matérias com efeito de vinho, canela, cravo, anis-estrelado, laranja
- Componentes a observar na rotulagem: cinamal, eugenol, limoneno
- Direção em 2026 (previsão): tirar o doce e trazer para a frente a acidez do vinho e a madeira. O retrato do gourmand menos doce
Pão de mel
- Impressão: massa assada, mel, especiarias
- Matérias-primas de estrutura: gengibre, canela, cravo, matérias com efeito de mel, notas tostadas
- Componentes a observar na rotulagem: cinamal, eugenol, cumarina (se usar tonka)
- Direção em 2026 (previsão): mais casca dourada do forno do que glacê branco. O que mais combina com o espírito do ano
Floresta de abetos
- Impressão: floresta fria e verde, resina
- Matérias-primas de estrutura: agulhas de abeto e de espruce, bálsamo, um toque de madeira
- Componentes a observar na rotulagem: limoneno (conforme o óleo de agulhas), linalol
- Direção em 2026 (previsão): menos como solista e mais como o frescor que abre espaço sobre os aromas doces
Incenso da catedral
- Impressão: pedra fria, fumaça, casca de limão
- Matérias-primas de estrutura: olíbano, mirra, elemi, madeiras, âmbar
- Componentes a observar na rotulagem: limoneno (presente naturalmente no olíbano)
- Direção em 2026 (previsão): o cheiro profundo de resina deixado pelo gosto do Oriente Médio continua. Misturado ao gourmand, também vira baunilha esfumaçada
Castanha assada e praliné
- Impressão: oleaginosas torradas, manteiga, caramelo
- Matérias-primas de estrutura: matérias com efeito de oleaginosa torrada, caramelo, baunilha, matérias com efeito de manteiga
- Componentes a observar na rotulagem: varia por matéria-prima. Confira a ficha de cada uma
- Direção em 2026 (previsão): a versão de inverno da moda do pistache. Com caramelo salgado, o aroma de fim de ano mais «2026»
Chocolate quente
- Impressão: cacau, leite, xícara quente
- Matérias-primas de estrutura: cacau, matérias com efeito de leite e creme, baunilha, um toque de especiaria
- Componentes a observar na rotulagem: cumarina (se usar tonka), conferir por matéria-prima
- Direção em 2026 (previsão): menos pesado, com notas leves como leite ou arroz. No fim, uma gota de salgado
Olhando os sete, cinco usam pelo menos um entre canela, cravo, laranja e tonka. Quer dizer: quem cria um aroma de Natal tende a acumular vários componentes que precisam ser declarados na Europa. E os acordes de Natal que mais combinam com a tendência gourmand deste ano são o pão de mel e a castanha assada com praliné. O Glühwein tradicional e o chocolate quente, que apostam muito no doce, precisam ser refeitos com menos açúcar para conversar com o gosto deste ano.
Os acordes ficam mais natalinos quando se sobrepõem do que quando aparecem sozinhos. Abra com a floresta de abetos, coloque o pão de mel no centro e deixe o incenso da catedral no fundo: vira «uma noite assando biscoitos na sala da árvore de Natal». O acorde que você põe em cima, no meio e embaixo conta, por si só, a história de Natal daquele perfume.
8. Cada país tem o seu cheiro de Natal
A data é a mesma, mas o cheiro da mesa muda de país para país. Pensando no inverno de quem vai ler este texto em 30 idiomas, escolhemos alguns lugares.
- Alemanha · Áustria — Glühwein, o vinho quente com canela, cravo e laranja. Lebkuchen, o biscoito de mel e especiarias.
- Países Baixos · Bélgica — Speculaas, biscoitos com canela, cravo, noz-moscada, gengibre e cardamomo. O Dia de São Nicolau, no começo de dezembro.
- Suécia · países nórdicos — O pão de açafrão do Dia de Santa Luzia, 13 de dezembro. Glögg, a bebida quente com especiarias e passas.
- Itália — Panetone, com casca de laranja cristalizada e passas.
- Grécia — Melomakarona, biscoitos com mel, laranja, canela e cravo.
- Polônia — Doces de semente de papoula e a bebida de frutas secas da ceia da véspera de Natal.
- México — Ponche, a bebida quente de frutas, canela e cana-de-açúcar.
- Filipinas — Bibingka, o bolo de arroz comido depois da missa da madrugada. É assado numa forma forrada com folha de bananeira.
- Japão — O bolo de Natal com morangos e chantili.
- Austrália · Brasil — Natal em pleno verão. Manga e frutas tropicais, brisa do mar, calor ao ar livre.
Nos países do norte, o cheiro do Natal se concentra no que é aquecido e assado; no sul, é leve como fruta e vento. Também chama atenção que boa parte das comidas de inverno do norte, como o bolo de arroz filipino e os doces de oleaginosas da Europa, coincide com o «lado tostado» para onde vai o gourmand deste ano.
9. Um Natal em pleno verão
Singapura e Bangkok continuam quentes em dezembro, e Sydney e São Paulo estão no auge do verão. Nessas cidades, um aroma de inverno carregado de canela e baunilha logo fica abafado.
Por isso, nos lugares quentes, as mesmas matérias-primas de Natal são usadas de outro jeito. O abeto vira um verde fresco, a laranja vira suco gelado recém-espremido, a especiaria vira só uma pitada de pimenta. Até o olíbano mostra primeiro o lado de casca de limão, e não o lado pesado. As matérias-primas continuam as mesmas; mudam apenas o peso e a ordem. Se as vendas no Golfo hesitarem neste ano e o Sudeste Asiático ganhar peso, vale preparar à parte um «aroma de Natal para países quentes».
10. As matérias-primas de Natal e as novas regras de rotulagem da Europa
É aqui que está o problema mais concreto de quem cria um aroma de Natal. Boa parte das matérias-primas que lembram o Natal contém componentes que a União Europeia classifica como possíveis alérgenos.
- Canela → cinamal, álcool cinamílico
- Cravo · folha de canela → eugenol e a molécula parecida isoeugenol
- Laranja · tangerina · olíbano → limoneno, citral
- Tonka → cumarina
- Diversas flores e ervas → linalol
Acima de certa concentração, esses componentes precisam ser declarados pelo nome na lista de ingredientes. O limite é de 0,001% para produtos que ficam na pele e de 0,01% para produtos enxaguados. Com o regulamento de 2023, a União Europeia ampliou a lista de 26 para pouco mais de 80 substâncias, e, desde 31 de julho de 2026, os produtos lançados precisam seguir a nova lista. Se você relançar neste ano, como produto novo, o aroma de Natal que vendeu no ano passado, a lista de ingredientes pode mudar.
Estar na lista de declaração não significa que não possa ser usado. Mas o aroma de Natal deste ano precisa ser criado já contando com uma lista de ingredientes mais longa. Deixar a lista de declaração e os limites de uso abertos ao lado desde a escolha das matérias-primas reduz o retrabalho depois. Nas normas da Associação Internacional de Fragrâncias (IFRA), componentes como cinamal e isoeugenol também têm limites de uso específicos por tipo de produto. Os EUA ainda não têm uma regra de rotulagem desse tipo, mas caminham na mesma direção.
11. Calendário de 70 dias
O concentrado de perfume não cheira igual no dia em que é misturado e algumas semanas depois. Cada ajuste exige esperar de novo. Somando o calendário da temporada de presentes, é preciso contar os dias de trás para a frente a partir do Natal. Abaixo, um exemplo de cronograma montado a partir de hoje para conseguir enviar a partir do começo de dezembro. Ajuste os prazos de maturação e de entrega ao seu produto e à sua região.
- Terceira semana de outubro (agora): defina onde o perfume vai ser vendido. Um inverno com neve ou um Natal de verão mudam o ponto de partida. Escolha o centro entre os acordes da seção 7 e decida a fórmula de partida. As matérias-primas de inverno podem ficar difíceis de conseguir perto da temporada, então é melhor fazer o pedido agora.
- Quarta semana de outubro: misture dois ou três primeiros ensaios e comece a maturação. Anote, para cada matéria-prima, os componentes a declarar e os limites de uso.
- Primeira e segunda semanas de novembro: compare os ensaios maturados na fita olfativa e na pele e escolha um. O concentrado ajustado volta a maturar. Fique de olho também no clima do 11 de novembro, a grande data de compras da Ásia.
- Terceira semana de novembro: feche o concentrado final. Prepare lista de ingredientes, frasco, caixa, fotos e texto de apresentação. Pensando em quem escolhe pelo celular, lapide frases que descrevam o aroma como um sabor ou uma cena.
- 26 a 30 de novembro: é a semana que reúne o Dia de Ação de Graças nos EUA (26), a Black Friday (27), o primeiro domingo do Advento (29) e a Cyber Monday (30). Lance nesta semana, quando as compras de presentes de fim de ano começam para valer.
- Primeira e segunda semanas de dezembro: receba os pedidos e envie. Lembre também das datas de cada país, como o Dia de São Nicolau (5 e 6) e o Dia de Santa Luzia (13). Para envios internacionais, confira antes os prazos finais de entrega de cada país.
- A partir da terceira semana de dezembro: para quem chega tarde, prepare tamanhos pequenos ou kits de amostras. Anote o que viveu neste fim de ano: isso vira o ponto de partida do preparo para o próximo Natal.
12. Cinco cuidados ao montar o aroma de Natal deste ano
Menos doce, mais assado e torrado
Neste ano, o gourmand vai mais para o tostado e o salgado do que para o açúcar. No pão de mel, traga para a frente a casca dourada em vez do glacê; no chocolate quente, o amargor do cacau em vez do açúcar.
Não entregar o calor a uma única matéria-prima
Se o calor vier só da canela, logo fica com cheiro de loja de biscoito. Sobrepor várias especiarias em pequenas doses e confiar o corpo quente a resinas, madeiras e baunilha dura mais. De quebra, os componentes a declarar não se concentram numa só matéria-prima.
Frescor nos primeiros minutos
Um aroma de inverno pesado desde o começo cansa rápido. Abra os primeiros minutos com o lado luminoso da laranja, do abeto e do olíbano, e deixe o calor subir devagar.
Pensar juntos a versão intensa e a versão pequena
Os presentes deste fim de ano devem se dividir entre «um bom frasco» e «um frasco pequeno, sem peso no bolso». Com a mesma estrutura, criar uma versão concentrada e outra mais leve permite preparar dois presentes com um só projeto.
Partir de uma fórmula e economizar uma maturação
Nos aromas de inverno, o equilíbrio entre as matérias-primas se desfaz com facilidade, e 70 dias é pouco para errar muitas vezes. Começando de uma fórmula testada e ajustando-a aos poucos ao seu inverno, dá para esperar uma ou duas maturações a menos do que procurando cada proporção do zero. A fórmula da GrassAccord chega em PDF por e-mail logo após o pagamento: escolha hoje e misture hoje.
O que acompanhar até o Natal
- Os dados do terceiro trimestre da Circana vão manter, na perfumaria de prestígio, o padrão «preço sobe, volume fica igual»?
- As vendas on-line reais na Black Friday e na Cyber Monday vão chegar às projeções da Adobe (US$ 12,9 bilhões e US$ 15,1 bilhões)?
- Quanto os aeroportos e duty frees do Golfo vão se recuperar no pico de fim de ano? E quanto os hubs do Sudeste Asiático vão preencher esse vazio?
- A disputa judicial sobre as novas tarifas americanas vai ter desfecho antes do fim do ano?
- Os lançamentos gourmand deste fim de ano vão de fato sair menos doces e mais tostados?
- O recorde das exportações coreanas de perfume vai se manter até a temporada de presentes?
As palavras deste texto
- Gourmand — Família olfativa que lembra coisas de comer, como baunilha, caramelo, café e oleaginosas.
- Acorde — Unidade do perfume em que várias matérias-primas se misturam para soar como uma só impressão.
- Fine fragrance — Produtos aromáticos de alto padrão aplicados no corpo, como o perfume. É o termo que as casas de fragrâncias usam para dividir os seus negócios.
- Crescimento em base comparável — Crescimento sem o efeito das variações cambiais e de compras e vendas de negócios.
- Resina — Substância pegajosa que a árvore libera para cobrir um ferimento. Olíbano e mirra são os exemplos clássicos.
- Declaração de possíveis alérgenos — Lista de componentes de fragrância que, acima de certa concentração, precisam ser declarados pelo nome na lista de ingredientes.
- IFRA — Associação Internacional de Fragrâncias. Define os limites de uso dos componentes de fragrância.
- Fórmula — A planta que registra quais matérias-primas misturar e em que proporções para construir um perfume. É o que a GrassAccord vende.
Para fechar
Colocando o Natal passado e o deste ano lado a lado, dá para ver que muita coisa mudou. O perfume se moveu ao mesmo tempo para o mais caro e para o menor, os duty frees do Golfo ficaram quietos, mandar perfume para os EUA ficou complicado e as listas de ingredientes europeias ficaram mais longas. E os narizes se voltaram, com uma força incomum, para o doce e o tostado.
Também há o que não mudou. Assim como dois dos três presentes escolhidos pelos Reis Magos eram matérias aromáticas, o perfume continua sendo um presente que fica na memória por muito tempo. O primeiro cheiro sentido ao abrir a caixa volta à lembrança na mesma estação do ano seguinte. O perfume é uma língua universal, e o Natal é a época em que essa língua mais circula.
O ensaio misturado hoje ganha forma em novembro e, em dezembro, vai para a caixa de presente de alguém e se torna o Natal dessa pessoa. Esperamos que a GrassAccord seja um bom ponto de partida para os perfumistas que preparam com antecedência o seu próprio aroma de inverno. Depois do Natal, voltamos para conferir o quanto as previsões deste texto acertaram.
Daqui a 70 dias, um Natal perfumado para você.
Referências: Circana — projeção do mercado de perfumes de fim de ano (4 de dezembro de 2025), resultados do mercado de beleza dos EUA em 2025 (10 de fevereiro de 2026) e resultados do mercado de beleza dos EUA no primeiro semestre de 2026 (11 de agosto de 2026). Adobe Analytics — vendas on-line de fim de ano de 2025 e projeção para o fim de ano de 2026 (setembro de 2026). Deloitte — projeção do varejo de fim de ano de 2026 (10 de setembro de 2026). PwC — projeção de consumo de fim de ano de 2026 (citada pela imprensa do setor). Givaudan — vendas de janeiro a setembro de 2026 (13 de outubro de 2026). Louis Vuitton Moët Hennessy — vendas do terceiro trimestre de 2026 (12 de outubro). L'Oréal — resultados do primeiro semestre de 2026 (29 de julho). Puig — resultados do primeiro semestre de 2026. Estée Lauder — resultados do ano fiscal de 2026 (19 de agosto de 2026). Glossy — reportagem sobre vendas de perfume no TikTok Shop (citando estimativas da Charm, 31 de março de 2026). Dubai Government Media Office — anúncio do faturamento do Dubai Duty Free em 2025 (1º de janeiro de 2026). eMarketer — reportagem sobre o Dia dos Solteiros de 2025. BeautyMatter — reportagem sobre aeroportos e vendas de beleza no Golfo (junho de 2026). Suprema Corte dos Estados Unidos — decisão sobre tarifas (20 de fevereiro de 2026) e material jurídico sobre as tarifas da Seção 301 da Lei de Comércio. Associação Coreana de Comércio Internacional, Serviço de Alfândega da Coreia e Ministério de Segurança de Alimentos e Medicamentos — estatísticas de exportação de perfume (via imprensa). Mintel — comunicado sobre tendências de perfume (17 de junho de 2025). Spate — tendências olfativas de 2026 (13 de abril de 2026). Cosmetics Business — reportagem sobre gourmand (dezembro de 2025). Reportagens sobre o preço da baunilha de Madagascar. Regulamento (UE) 2023/1545. Normas da Associação Internacional de Fragrâncias (IFRA). As previsões são avaliações da GrassAccord; o conteúdo sobre tarifas e regulamentação é informação geral, não assessoria jurídica ou tributária.